segunda-feira, 27 de julho de 2015
Epifania
quinta-feira, 16 de julho de 2015
A Sopa Mágica
Ela chamou-me
- Paula, anda comer a sopa!...
E eu lá fui, embora a vontade não fosse muita.
Ás primeiras colheradas dei por mim a pensar como seria se aquela sopa fosse mágica e eu desatasse a encolher até ficar tão minúscula que conseguisse descobrir a pequena porta que me levaria dali para fora. Sim, porque estas coisas não acontecem só aos outros. Eu, pelo menos, quero acreditar que não.
Não hesitava. Passava logo para o lado de lá, á procura de um qualquer yellow brick road, que eu sei que deve estar por aí algures á espera que eu o encontre.
Neste novo mundo, faria amigos á séria, ainda que fossem coelhos apressados, munidos de enormes relógios, ou quiçá homens de lata á procura de um coração.
Dessa vez eu estaria atenta a tudo, cada pormenor, cada cor, cada sabor, cada sentimento. Nada me havia de escapar, nem que tivesse que comer mais umas colheradas de sopa para não sair desse mundo
(“Ó mãe, dá-me mais sopa!”) .
Todas as rainhas más me pareceriam cómicas e me fariam rir. Todas as flores me haviam de inebriar ao ponto de deixar de ter memórias do meu passado.
Quando chegasse ao fim do caminho, nem sei o que faria… se calhar voltava para trás e ia ajudar o homem de lata a encontrar um coração, ou talvez até partilhasse o meu coração com ele porque um homem que queira ter coração, ainda que seja de lata, não é algo que se encontre todos os dias… digo eu.
- Ainda aqui estás, com a colher de sopa na mão e quase tudo por comer??? Ó rapariga, andas sempre com a cabeça na lua… Come, vá, anda…
- Como, minha mãe… eu como a tua sopa mágica, prometo. Não posso parar porque perdi o meu homem de lata e ainda não consegui reencontrá-lo para lhe dar o meu coração.
Paula Abreu
16/7/2015
Subscrever:
Comentários (Atom)