segunda-feira, 30 de maio de 2016

O Melhor de Nada

O Melhor de Nada

No balanço do percurso, sem saber onde é a meta
Não sei como cheguei até aqui
Nem sequer sei quem sou ou o que fiz
Mas sei que já cá estou
Esgotada pelo que dei, rendida ao que recebi

Foste o melhor que não me aconteceu
A melhor vida que não tive
O extraordinário amor, que afinal não vivi

Agora que aqui cheguei
Á espera de me encontrar
Cheia de todo este enorme vazio
Respiro uma vida que me prende de tão livre

Mas quereria eu ser livre?

Ou seria melhor manter o melhor que não me deste?
És e serás o melhor que não tenho

Paula Abreu
Maio 2016

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Epifania

E eu que pensava outrora, Que era tudo poesia, Que a alma nunca doía E que a tristeza nao corrói. . Estive errada ate agora. Não é apenas teoria... Não é o que me parecia. Afinal a alma dói Paula Abreu

quinta-feira, 16 de julho de 2015

A Sopa Mágica


Ela chamou-me
- Paula, anda comer a sopa!...
E eu lá fui, embora a vontade não fosse muita.
Ás primeiras colheradas dei por mim a pensar como seria se aquela sopa fosse mágica e eu desatasse a encolher até ficar tão minúscula que conseguisse descobrir a pequena porta que me levaria dali para fora. Sim, porque estas coisas não acontecem só aos outros. Eu, pelo menos, quero acreditar que não.
Não hesitava. Passava logo para o lado de lá, á procura de um qualquer yellow brick road, que eu sei que deve estar por aí algures á espera que eu o encontre.
Neste novo mundo, faria amigos á séria, ainda que fossem coelhos apressados, munidos de enormes relógios, ou quiçá homens de lata á procura de um coração.
Dessa vez eu estaria atenta a tudo, cada pormenor, cada cor, cada sabor, cada sentimento. Nada me havia de escapar, nem que tivesse que comer mais umas colheradas de sopa para não sair desse mundo
 (“Ó mãe, dá-me mais sopa!”) .
Todas as rainhas más me pareceriam cómicas e me fariam rir. Todas as flores me haviam de inebriar ao ponto de deixar de ter memórias do meu passado.
Quando chegasse ao fim do caminho, nem sei o que faria… se calhar voltava para trás e ia ajudar o homem de lata a encontrar um coração, ou talvez até partilhasse o meu coração com ele porque um homem que queira ter coração, ainda que seja de lata, não é algo que se encontre todos os dias… digo eu.

- Ainda aqui estás, com a colher de sopa na mão e quase tudo por comer??? Ó rapariga, andas sempre com a cabeça na lua… Come, vá, anda…
- Como, minha mãe… eu como a tua sopa mágica, prometo. Não posso parar porque perdi o meu homem de lata e ainda não consegui reencontrá-lo para lhe dar o meu coração.
Paula Abreu
16/7/2015